Uma conta que vem do passado

Uma conta que vem do passado

Ecad cobra dos hotéis por um serviço que não existe mais

Ecad cobra dos hotéis por um serviço que não existe mais

Por Claudio Magnavita*

A hotelaria brasileira está presa em um paradoxo que parece um filme de ficção científica ou extraído de uma das obras do escritor Franz Kafka.

Trata-se de uma batalha ficcional que coloca em um lado os hotéis e do outro, artistas e músicas. No meio, a cobrança de direto autoral promovida pelo Ecad.

O problema é que ninguém coloca foco na essência do problema. A cobrança tem como origem um jurássico sistema de som que era comum nos anos 70 e parte dos 80. Era comum ter nos hotéis na cabeceira da cama um seletor de canais e os quartos possuíam caixa de som embutida. Era muito comum até em motel. Era 3 ou 5 canais de músicas próprios distribuídos através de uma central de gravadores colocados próximo a telefonia. Era canais privados e nos motéis tinham até trilhas chamadas de “música de motel “.

A hotelaria brasileira explodiu nos anos 70 e todos os hotéis modernos vinham com suas trilhas. Neste cenário, o pagamento dos direitos autorais era devido.

A evolução tecnológica transformou este sistema em obsoleto e já no final dos anos 90 os canais próprios foram morrendo. A única coisa que restou foi a conta do Ecad.

O mesmo avanço tecnológico que mudou o consumo de música , com o fim dos discos bolachas, CDS e migraram para aparelhos portais e agora incorporados aos smartphones também chegou a hotelaria.
Será que a Ecad já visitou um hotel moderno? Como é a execução de música em um apartamento hoteleiro?

Hoje ele é feito com aparelhos de rádios (a emissoras já recolhem Ecad), por aparelhos nos quais você acopla seu celular ou conectar por bluetooth, ou ainda quando emparelha o seu celular a uma SmartTv.

Na televisão, os canais já recolhem direito autorais da mesma forma que os sistemas de streaming já realizam.

Quando um smartphone é carregado com música, independente do aplicativo assinado o direto autoral é pago pelo fornecedor.

Cobrar Ecad em um quarto de hotel é hoje um absurdo. Seria como cobrar de um usuário que escuta o seu database musical na rua, em uma praça, na academia ou em casa.

Hoje não há música estocada em um quarto de hotel e nem um canal exclusivo. Não é execução pública e nem privada. O acervo musical ou é individual, ou pública no caso de rádio e TV.

O parlamento não pode se acovardar em regular ou melhor corrigir um modelo que não existe mais e faz parte do passado. Não é o caso de tirar dos artistas direitos autorais. A realidade é outra: é o caso de não permitir que se pague o que não é devido.

Em tempo: todos os eventos públicos e festas dos hotéis, além das execuções musicais em áreas comuns recolhem direito autoral.

*Claudio Magnavita é Diretor de Redação do Jornal de Turismo

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