A Fórmula 1 inicia sua reta final da temporada, viajando entre os continentes asiático e americano, com o GP de Singapura. A prova volta ao calendário após dois anos fora por conta da pandemia
A Fórmula 1 inicia sua reta final da temporada, viajando entre os continentes asiático e americano, com o GP de Singapura. A prova volta ao calendário após dois anos fora por conta da pandemia
Advogada e empresário compartilham experiências e dão dicas de preparo para a migração
Casa Rosada, Obelisco, Teatro Colón e La Bombonera são alguns dos pontos turísticos de Buenos Aires, mesma cidade que vai sediar a corrida de 42 quilômetros
Por: Nathalia Lavigne
Em "The Natural History of Rape", ou a história natural do estupro, a artista Ariella Aïsha Azoulay faz um inventário de uma documentação que não existe sobre a onda de estupros em massa de mulheres ocorridos em Berlim em 1945, episódio pouco falado entre os traumas do pós-Guerra na Alemanha.
É estimado que foram até 2 milhões de casos nos primeiros meses depois do fim do conflito. Muitas foram estupradas diversas vezes tanto por soldados do Exército Vermelho quanto das tropas aliadas, e os ataques eram facilitados pelos prédios em ruínas.
A forma como escolhe contar essa história é também silenciosa. Apresentando um extenso material de arquivo sobre o período numa mesa, a artista enumera em quantas páginas o assunto é abordado -161 entre as 9.558 de livros consultados.
Em alguns deles, ela também insere quadrados negros onde poderia haver imagens documentando os episódios e legendas sensacionalistas, sugerindo uma cena similar às fotos de guerra que conhecemos bem. "Um rastro de sangue leva a uma igreja próxima, ao lado da qual o corpo de uma jovem pode ser visto deitado na rua," escreve.
A instalação de Azoulay traduz em vários sentidos o pensamento desta 12ª Bienal de Berlim, que pode ser resumido como um olhar crítico para os arquivos e a perpetuação de práticas coloniais que continuam presentes, mesmo sem serem vistas ou nomeadas.
Em seu livro "Potential History: Unlearning Imperialism", de 2019, a artista e pesquisadora escreve longamente sobre reparação, tema central também na obra do artista francês Kader Attia, organizador desta edição junto de Ana Teixeira Pinto, ?o Tuong Linh, Marie Helene Pereira, Noam Segal e Rasha Salti.
Dez anos depois de ter se destacado na 13ª edição da Documenta, em Kassel, na Alemanha, com a instalação "The Repair from Occident to Extra-Occidental Cultures", algo como a reparação das culturas do ocidente em relação às extraocidentais, Attia parte desse mesmo conceito e o define como força motriz da atual Bienal de Berlim.
Mesmo que o mundo já seja outro em relação a dez anos atrás, a ideia da reparação ainda parece responder bem às novas questões reforçadas na última década. Entre elas a "governança algorítmica do capitalismo 24 horas por dia", como escreve no catálogo da mostra, destacando a "agência criativa" da arte como um dos caminhos para reparar e reinterpretar o presente, celebrado no nome da mostra, "Still Present!".
O problema é que a reiteração do conceito, reverberando em diversos trabalhos ao longo dos seis espaços expositivos, acaba tendo um efeito contrário de enfraquecimento -uma obra como a de Azoulay, que parece central para o pensamento da exposição, tem uma apresentação menos acessível pelo excesso de texto, além das intervenções sutis nos livros que demandam mais tempo para serem notadas.
O mesmo acontece com os fluxogramas feitos à mão por Moses März em "Community", com informações excessivas apontando as conexões coloniais na cidade de Berlim e movimentos de resistências, propondo outras afinidades ideológicas "fora de um paradigma euroliberal", como escreve.
Ou também em outras obras que tratam da violência dos arquivos com nomes promissores -como "Dream Your Museum", ou sonhe o seu museu, em que a indiana Khandakar Ohida parte de uma história pessoal sobre o tio que a vida toda acumulou todo tipo de objetos em casa para refletir sobre as distinções entre um arquivo e uma coleção doméstica e as influências de hierarquias sociopolíticas nesse processo, especialmente em lugares como a Índia. A despeito da ideia espetacular sugerida pelo nome -a aproximação entre o imaginário museológico com o dos sonhos-, o resultado é menos interessante do que promete.
A presença de Ariella Aïsha Azoulay tem também outro dado importante. Ao se identificar como judia palestina, ela é uma das vozes mais críticas ao Estado de Israel -tema sensível na Alemanha, mais ainda nesse momento, com casos de artistas e acadêmicos sofrendo retaliações acusados de antissemitismo. Nesse sentido, a participação de diversos nomes palestinos é também uma forma de reparação, nesse caso propositalmente silenciosa.
Um dos trabalhos mais fortes da mostra é a instalação da dupla Basel Abbas e Ruanne Abou-Rahme, palestinos radicados em Nova York e com uma exposição no MoMa, o Museu de Arte Moderna, até final de junho.
Usando imagens gravadas por uma câmera de vigilância militar israelense, "Oh Shining Star Testify", obra desenvolvida de 2019 a 2022, conta a história de um menino de 14 anos morto a tiros depois de cruzar um muro de separação em território palestino para colher uma planta comestível tradicional na culinária local. Com projeções de vídeo e de som em multicanais e painéis de madeira atravessando a sala, a obra cria um ambiente imersivo e fragmentado, traduzindo bem a experiência de deslocamento e migrações forçadas que costumam tratar.
Um tema semelhante é tratado pelo artista jordaniano Lawrence Abu Hamdan também no espaço do museu Hamburger Bahhof, onde está o melhor conjunto de trabalhos. Em "Air Conditioning", deste ano, o que à primeira vista parecem inofensivas paisagens aéreas de um céu carregado revela detalhes invisíveis da vigilância sonora de aviões militares israelenses sobre o Líbano mapeados ao longo de 15 anos.
Com um processo de trabalho que nasce de uma investigação forense -ao estilo do coletivo Forensic Architecture, também presente na mostra- Abu Hamdan criou as imagens num software a partir de um conjunto de dados das Nações Unidas apontando as violações de guerra. A instalação é acompanhada de um site, Airpressure.info, que detalha a pesquisa.
Chama a atenção, entretanto, a quase ausência de nomes da América Latina nesta bienal -talvez pelo fato de a última edição, organizada por Lisette Lagnado, María Berríos, Renata Cervetto e Agustín Pérez Rubio, ter dedicado bastante espaço a artistas do continente. Ainda assim, se a intenção é abordar a perpetuação do colonialismo atravessando o presente por todos os lados, faz falta um olhar menos centrado nas relações entre a Europa e o continente africano, que predomina na mostra.
Por: Igor Siqueira
Todos enfileirados, já no túnel, prestes a entrar em campo para uma partida importante da Copa do Mundo. Mas a "natureza" chama. Vem o aperto. O que fazer? Se o jogador em questão estiver no Estádio 974, em Doha, no Qatar, basta olhar para o lado direito. Na porta de um container verde estará a placa que é uma boa notícia para essa situação: "Last minute toilet". O banheiro para o último minuto.
Ele está ali para evitar que os jogadores precisem voltar ao vestiário, caso tenham vontade de ir ao banheiro. Em visita na semana passada, a reportagem viu que a distância entre a porta de acesso ao gramado e os vestiários não é tão longa assim. No entanto, para quem está apertado ou precisa começar um jogo no horário, cada instante conta.
O fato de o banheiro ser um container passa longe de um improviso. Trata-se do conceito arquitetônico inovador, encomendado pelos organizadores da Copa do Qatar ao escritório Fenwick Iribarren Architects. O plano era evitar que o estádio para 40 mil pessoas fosse mais um elefante branco.
A estrutura da qual 974 containers fazem parte -o nome vem daí e também do código telefônico do Qatar- será completamente desfeita após a Copa. Logo, o banheiro também. A ideia original era fazer algo inspirado em Lego. Posteriormente, veio a proposta de usar os containers.
O "pit stop" no banheiro de última hora poderá ocorrer em um jogo do Brasil, por exemplo. A seleção de Tite fará no Estádio 974 a segunda partida pela fase de grupos, contra a Suíça, em 28 de novembro. O técnico da seleção esteve no estádio em abril e conheceu o ambiente.
Ele queria ver o posicionamento dos bancos de reserva, sentir a atmosfera. Ao todo, serão sete jogos da Copa do Mundo no 974, no estádio instalado à beira do mar e com vista privilegiada para a área de prédios mais altos de Doha.
Um banheiro tão próximo do campo não faz parte do padrão Fifa. Tanto que esse desenho não se replica no Lusail, por exemplo, palco da final da Copa e onde o Brasil fará os outros dois jogos da primeira fase -a estreia diante da Sérvia, em 24 de novembro, e o confronto com Camarões, no dia 2 de dezembro. O formato é incomum, inclusive, em estádios usados na Copa do Mundo do Brasil. O Maracanã, por exemplo, não tem.
O 974 foi inaugurado em novembro de 2021, por ocasião da Copa Árabe. Pela natureza transitória e a peculiaridade do projeto, é o único dos oito estádios escalados para o Mundial que não terá ar-condicionado para campo e arquibancadas -os assentos, inclusive, são menos requintados do que os de outras praças qataris. A previsão é que a Copa de novembro a dezembro aconteça com temperaturas amenas, ao contrário dos jogos recentes da repescagem, que foram no verão.
O uso de containers na estrutura do Estádio 974 se estende até as áreas mais nobres do local, como a área VVIP -sim, com dois vês. No setor com capacidade para até 300 pessoas, alguns dirigentes, como o presidente da Fifa, têm um lounge exclusivo. Por fora, um container. Por dentro, o ambiente de uma sala, com sofás, e um banheiro exclusivo -para ser usado não só no "último minuto".
*O repórter viajou a convite do Supreme Committee for Delivery & Legacy
A Fifa anunciou as cidades e os estádios que receberão as partidas da Copa do Mundo de 2026. Das 23 arenas que se apresentaram como candidatas, 16 foram escolhidas para o torneio, cuja organização será dividida entre Estados Unidos, México e Canadá.
A decisão foi divulgada em evento realizado pela entidade que comanda o futebol mundial, em Nova York, na noite de quinta-feira (16). Está entre os campos vencedores da disputa aquele em que a seleção brasileira conquistou o tri mundial.
Em 1970, o Brasil levou a Copa pela terceira vez e ficou com a posse definitiva -ou quase isso- da taça Jules Rimet. O troféu foi obtido em uma vitória por 4 a 1 sobre a Itália, no estádio Azteca, na Cidade do México, novamente sede de um Mundial.
O Azteca será o primeiro estádio a receber duelos de três edições da competição. Em 1986, o torneio foi novamente realizado no México, e o palco da decisão se repetiu. Era a consagração de Maradona, que levou a Argentina ao título em triunfo por 3 a 2 sobre a Alemanha Ocidental.
Havia a expectativa que o campo em que o Brasil ganhou o tetra, em 1994 –vitória nos pênaltis sobre a Itália, após empate por 0 a 0– também voltasse a ter jogos da Copa. Mas o tradicional Rose Bowl, em Pasadena, nos arredores de Los Angeles, foi preterido pelo moderno SoFi Stadium, em Inglewood, outra cidade na grande LA.
Nos Estados Unidos, também receberão partidas Nova Jersey (MetLife Stadium), Dallas (AT&T Stadium), Santa Clara (Levi's Stadium), Miami (Hard Rock Stadium), Atlanta (Mercedes-Benz Stadium), Seattle (Lumen Field), Houston (NRG Stadium), Philadelphia (Lincoln Financial Field), Kansas (Arrowhead Stadium) e Boston (Gillette Stadium).
Já o México terá três arenas na competição. Além do Azteca, estarão no torneio o estádio Akron, em Zapopan, nas cercanias de Guadalajara, e o BBVA Bancomer, em Monterrey. O Canadá terá dois locais de disputa, o BMO Field, em Toronto, e o BC Place, em Vancouver.
"Vamos tentar organizar a Copa de modo que as seleções e os fãs não tenham que viajar muito. No momento oportuno, vamos decidir o local de abertura e o palco da final", afirmou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
"Em 2026, o futebol vai ser o esporte número um nesta parte do mundo."
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira com 48 seleções -atualmente, são 32. Elas serão divididas em 16 grupos com três equipes cada um. As duas primeiras de cada chave avançarão ao mata-mata, na fase anterior às oitavas de final.
Aprovada em 2017, a ampliação foi uma cartada de Infantino, que viu crescerem sua influência e seu prestígio em países periféricos do futebol. Muitos dos que dificilmente teriam a oportunidade de jogar um Mundial passaram a ter chances bem maiores.
Haverá também mais dinheiro em movimento. As contas são periodicamente refeitas, mas a expectativa da entidade que rege o futebol é uma arrecadação de ao menos US$ 6,5 bilhões (R$ 33,2 bilhões, na cotação atual).
O torneio passará a ter um total de 80 partidas, 16 mais do que no formato atual. No certame de 2026, deverão ocorrer 60 confrontos em território norte-americano, dez no México e outros dez no Canadá. A final será nos Estados Unidos.
Por: Luís Curro
O ano: 2006. O mês: julho. O dia: 9. O país: Alemanha. A cidade: Berlim. O estádio: Olímpico. O evento: final da Copa do Mundo. Os rivais: Itália e França.
No segundo Mundial decidido nos pênaltis (o primeiro foi em 1994, Brasil x Itália, nos EUA), os italianos se sagraram pentacampeões ao superar os franceses por 5 a 3, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal mais prorrogação.
Os personagens mais marcantes dessa decisão foram o craque francês Zinédine Zidane, capitão dos Bleus, e o zagueiro Marco Materazzi, da Squadra Azzurra.
Não só porque eles foram os responsáveis pelos gols de suas respectivas seleções, ambos no primeiro tempo -Zidane, de pênalti com cavadinha, e Materazzi, de cabeça após escanteio.
Mas porque eles protagonizaram a jogada mais lembrada da partida. A violenta cabeçada que o camisa 10 desferiu no peito do camisa 23 no início do segundo tempo da prorrogação. O motivo: uma provocação do beque italiano.
No relato do próprio Materazzi, depois de um desentendimento na grande área italiana que deixou o italiano com cara de poucos amigos, Zidane disse que depois do jogo lhe daria sua camisa, e ele retrucou: "Prefiro sua irmã".
A reação do francês, que tem uma irmã chamada Lila, foi imediata e intempestiva: a careca no tórax do italiano, que desabou.
O árbitro argentino Horacio Elizondo, ao saber da agressão por um auxiliar, mostrou o cartão vermelho a Zidane.
O lance ficou tão famoso que o escultor argelino Adel Abdessemed o imortalizou em uma estátua, cujo destino acabou sendo Doha, a capital do Qatar.
Colocada na orla da cidade, ela teve estadia curta por lá, apenas um mês.
Protestos constantes de muçulmanos -que a consideravam uma violação a dogmas religiosos, por incitar a idolatria, além de ser um estímulo à violência- fizeram com que as autoridades a retirassem e a guardassem.
Agora, entretanto, com a proximidade da Copa deste ano, que será em novembro e dezembro, a estátua de bronze de 5 metros de altura, chamada de Coup de Tête (Cabeçada), foi resgatada e será exibida para a população local e para os turistas.
Não perto do mar, a céu aberto, como nove anos atrás, mas em um local fechado, um museu com temática esportiva, a ser visitado somente por quem tiver interesse.
Nas palavras de Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, irmã do emir do Qatar e responsável pela administração dos museus do país, "as sociedades evoluem", e hoje haverá entre seus compatriotas uma aceitação maior da obra de Abdessemed.
"As pessoas podem criticar algo no começo, mas depois entendem e se acostumam com isso", disse ela em entrevista a jornalistas. "Zidane é um grande amigo do Qatar e um modelo para o mundo árabe."
Al-Thani prosseguiu: "Estamos tentando ensinar e capacitar as pessoas por meio da arte, e ela representa fatos da vida. Com a escultura de Zidane, falaremos do estresse dos esportistas em grandes competições e sobre a importância de lidar com a saúde mental".
O museu 3-2-1, onde a Coup de Tête terá lugar de destaque em exposição a ser iniciada antes do início da Copa, fica localizado no Estádio Internacional Khalifa, um dos que receberão jogos do Mundial, incluindo a disputa pelo terceiro lugar.
Por: Giuliana Miranda
Após 226 anos do início das obras, a ala poente do Palácio da Ajuda, última residência dos reis de Portugal, foi aberta ao público com o novíssimo Museu do Tesouro Real. A instalação abriga uma coleção com mais de mil peças, que incluem joias raras e valiosas da coroa portuguesa, além de moedas, itens de ourivesaria religiosa, prataria artística -e grande quantidade de ouro e diamantes do Brasil.
Este é o nome, inclusive, de uma das 11 áreas temáticas da exposição. Um painel destaca a abundância das jazidas de Minas Gerais e seus "diamantes em enorme e inédita quantidade", que proporcionaram uma mudança de paradigma na joalheria portuguesa, "que passa a ser definida não pelos metais preciosos, mas sim pelas pedrarias". Não por acaso, das 22 mil pedras da exposição, 18 mil são diamantes.
O texto da seção brasileira menciona que a corrida do ouro trouxe exploradores e aventureiros à região, mas não faz alusões à mão de obra de africanos e indígenas escravizados nas minas de extração.
Diretor do Palácio Nacional da Ajuda, o historiador José Alberto Ribeiro diz que as referências à escravidão foram incluídas apenas no catálogo da exposição, que ainda não está disponível. A previsão é que a compilação, cuja impressão teria sido atrasada devido à Guerra da Ucrânia, fique pronta em julho.
"Isso é falado no catálogo, logo na abertura, quando se fala em mineração. A exposição é puramente para mostrar as joias do tesouro real e contar sua história", afirma Ribeiro.
Além das joias finalizadas, a mostra exibe uma série de pedras brutas e pepitas de ouro. O maior destaque é também proveniente do Brasil: a provável segunda maior pepita de ouro do mundo, com cerca de 22 kg.
As joias da realeza, no entanto, são o ponto mais disputado do museu, que faz um grande apanhado temporal e de estilos, mostrando como os adornos da monarquia evoluíram ao longo dos anos.
É nesta área que estão algumas das principais peças da coleção, como o grande laço de esmeraldas que pertenceu a Maria Bárbara de Bragança, que era filha do rei Dom João 5º e foi rainha da Espanha. A peça chegou a ser desmanchada e teve seus pedaços utilizados para compor outros ornamentos, mas foi restaurada à sua forma original.
"A joia entra na Casa Real após a morte da rainha, que não teve filhos, e deixou sua herança à família portuguesa", explica Ribeiro. "São consideradas uma das esmeraldas colombianas mais límpidas."
Outra peça restaurada é uma tiara em ouro, de Dona Estefânia, recebida como presente de casamento de Dom João 5º. A joia foi considerada desaparecida durante vários anos e só foi descoberta recentemente, quando especialistas da coleção identificaram que a peça estava, na verdade, desmontada.
"Era uma joia que devia ser muito desconfortável, porque, quando Dona Estefânia a usou no casamento, há relatos de que sangrou na testa", conta o diretor do palácio.
Originalmente com 4 mil diamantes, a peça é exibida totalmente "descravejada", assim como alguns outros itens. A ideia é mostrar também como a realeza fazia uma espécie de reciclagem das pedras preciosas, que tinham seus adornos trocados constantemente. Há ainda uma seleção de joias completamente pretas, idealizada para momentos de "luto profundo".
Valiosas, as joias reais não escaparam de vendas, roubos e leilões ao longo dos anos. A coleção exibe, no entanto, vários itens que o Estado português conseguiu recomprar ao longo dos anos. Nem todas as tentativas de aquisição, porém, foram bem-sucedidas. Leiloada na Christie's em maio de 2021, a tiara de diamantes e safira da rainha Maria 2ª -que era filha de Dom Pedro 1º e nasceu no Rio de Janeiro- acabou arrematada por um magnata do Oriente Médio.
Portugal chegou a fazer lances pela peça, mas o orçamento disponibilizado para a compra não foi suficiente contra o EUR 1,3 milhão (cerca de R$ 6,7 milhões) oferecido pelo colecionador. O proprietário, porém, concordou em emprestar a peça para a abertura do museu, onde ela permanecerá por um ano.
A mostra também tem um núcleo dedicado aos objetos rituais da monarquia, que representavam o poder dos reis de Portugal. Símbolo máximo do poder real, a última coroa foi encomendada no Brasil, em 1817, para a cerimônia de aclamação de Dom João 6º.
Toda em ouro, a peça tem uma particularidade: não era colocada na cabeça dos soberanos no momento em que passavam a reinar. Isso acontecia por conta de uma tradição iniciada pelo primeiro rei da dinastia de Bragança. Após reconquistar a independência de Portugal junto a Espanha, em 1640, Dom João 4º, entregou simbolicamente sua coroa a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e afirmou que ela seria a "verdadeira rainha de Portugal".
Daquele momento até a instauração da República, em 1910, os monarcas portugueses não tinham uma cerimônia de coroação, mas sim uma aclamação, em que o novo soberano recebia a coroa, mas não a colocava na cabeça.
A mostra impressiona ainda com a reprodução de uma enorme mesa de jantar real.
Encomendada ao ourives francês François-Thomas Germain após o grande terremoto de 1755 destruir o conjunto anterior, a imponente baixela, com vários detalhes artísticos, é referência mundial em qualidade e raridade.
A última parte da mostra chama-se "Viagens do Tesouro Real" e é dedicada à mobilidade de seu conteúdo, incluindo em momentos não tão gloriosos da história portuguesa, como o embarque da família real e da corte para o Brasil em 1807.
A maior parte do tesouro volta para Portugal em 1821, com o regresso de Dom João 6º. Os bens que ficaram a serviço da regência no Brasil, no entanto, tiveram destino bem mais disperso. Alguns dos itens voltaram a Lisboa, enquanto outros têm ainda paradeiro desconhecido.
Segundo o diretor do museu, o acervo não será emprestado a outras instituições. Há uma preocupação com a segurança das peças após um roubo ocorrido em dezembro de 2002, na Holanda.
Essa preocupação permeia todo o museu, que está instalado em uma das maiores caixas-fortes do mundo. São 40 metros de comprimento, 10 metros de largura e outros 10 metros de altura. Os acessos são feitos por portas blindadas de 5 toneladas. Todas as vitrines têm controle de temperatura e vidros à prova de bala.
Para chegar até lá, é preciso ainda passar por um detector de metais. Bolsas, mochilas e casacos passam por uma máquina de raio-x semelhante às que existem nos aeroportos. O museu está aberto todos os dias, com ingressos a EUR 10 euros (cerca de R$ 51).
Plataforma permite que cidadãos no exterior encontrem advogados para auxiliá-los em diversas áreas
A mídia estatal da Arábia Saudita informou neste domingo (20) que a coalizão liderada pelos sauditas que luta no Iêmen disse que interceptou e destruiu um "alvo aéreo hostil" que visava a cidade de Jeddah, que receberá a Fórmula 1 no próximo fim de semana.
O grupo Houthi, do Iêmen, alinhado ao Irã, já havia atacado uma planta de distribuição da Aramco, companhia petrolífera estatal saudita, em Jeddah, depois de disparar mísseis e drones contra instalações sauditas de energia.
No caso da planta de distribuição da Aramco, o ataque resultou em um pequeno incêndio, que foi controlado e não deixou feridos.
Hoje, a Arábia Saudita alertou que os ataques de rebeldes iemenitas às instalações petrolíferas do país representam uma "ameaça direta" ao fornecimento global. Em um comunicado, o ministério das Relações Exteriores afirmou que os sauditas "não terão responsabilidade" se houver escassez de suprimentos devido a ataques dos houthis.
Já a temporada 2022 da Fórmula 1 começou no último fim de semana com o GP do Bahrein, vencido por Charles Leclerc, da Ferrari. Agora, a categoria desembarca na Arábia Saudita com os treinos livres na sexta-feira (25).
Os novos surtos de Covid em países da Europa e da Ásia acendem um alerta para a possibilidade de uma nova onda da pandemia no Brasil. Na última quinta (17), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados no estado. A proteção, porém, continua obrigatória em algumas situações, como em transportes públicos, além de ambientes hospitalares e em serviços de saúde (entenda as regras).
Para especialistas, mesmo com uma cobertura vacinal acima de 70%, a alta circulação da variante ômicron e o cenário de retirada das medidas de restrição podem levar a um aumento de infecções e, consequentemente, hospitalizações e mortes pelo coronavírus.
Na China, a média móvel de novos casos na terça (15) foi quase seis vezes o número registrado há duas semanas. Na Coreia do Sul, o dobro, e o país nunca registrou tantos óbitos (230 era a média móvel naquele dia) quanto nesta semana.
A situação não é muito melhor na Europa. Suíça, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Itália, Holanda e França têm de 27% a 83% de alta na média móvel de contaminados em relação há 14 dias.
Na Alemanha, na terça, a média móvel era de 200 mil novos casos –mais de 10 mil a mais que o recorde brasileiro (registrado em 31 de janeiro), embora a população por aqui seja mais que o dobro da alemã.
O país também enfrenta alta de óbitos: são 23% mais que há duas semanas. Isso também acontece na Suíça (38%) e na Holanda (20%), embora nesta última o ritmo de novos casos pareça começar a ceder.
No Brasil, foram registradas na última quarta (16) 354 novas mortes e mais de 44 mil casos. As médias móveis de casos e mortes estão em estabilidade e em queda, respectivamente, em relação a duas semanas atrás, de 40.335 e 345.
Mesmo assim, a retirada de muitas medidas protetoras, incluindo a desobrigação do uso de máscaras até mesmo em locais fechados, pode provocar uma nova alta de casos. Segundo a epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin para Vacinas, Denise Garrett, o aumento de novos casos de Covid globalmente desde janeiro deixa claro que a situação não é isolada em alguns países e pode sim chegar ao Brasil.
"Os casos estavam diminuindo em todo o mundo e agora voltaram a subir. Não temos bola de cristal para saber como irá se comportar nem quando a onda atingirá o Brasil, mas podemos falar com quase 100% de certeza que vai chegar Denise Garrett epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin para Vacinas"
Para ela, uma preocupação adicional é que, neste momento, o país deveria estar se preparando para a chegada da nova onda, e não é o caso –ao contrário, os estados estão retirando a obrigatoriedade do uso de máscaras, flexibilizando as medidas de restrição e o governo federal deseja rebaixar a condição da pandemia para uma endemia, que é quando há um número de casos e mortes conhecido e constante anualmente.
Segundo Garrett, o país não se preparou o suficiente para enfrentar mais uma onda agora, com medidas como ampliar a testagem disponível para todos, a incorporação de medicamentos para uso nos primeiros dias da infecção –como as pílulas Paxlovid, da Pfizer, e molnupiravir, da MSD– e uma campanha de comunicação para ampliar a cobertura vacinal de dose de reforço.
A mesma visão é compartilhada pela professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel. "Era o momento de estudarmos com muita atenção o que está ocorrendo nos países da Europa e Ásia para antecipar problemas que podem surgir no país com uma possível nova onda, como a maior gravidade de doença em idosos que receberam o reforço há mais de cinco meses e podem estar desprotegidos", afirma.
De acordo com o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, a alta de casos nos demais países acende um alerta para o Brasil. "A pandemia não acaba quando o governo decide retirar as medidas de restrição ou protetoras, ou porque o presidente está mirando a reeleição, ela acaba quando o vírus parar de circular, e o vírus não vai parar de circular enquanto não tomarmos as medidas adequadas", diz.
Para ele, assim como para Garrett, a discussão sobre as máscaras em locais abertos é extemporânea. "O problema não é a discussão de máscaras em locais abertos, a defesa de [desobrigar as] máscaras em locais abertos já existia desde setembro. À época, a média móvel de mortes era 150, mas não houve nenhum movimento. Agora, quando ela está em torno de 300, 400, os gestores decidem pela retirada no que, para mim, parece uma decisão eleitoreira e não baseada na ciência", afirma.
Professor da Universidade Federal da Bahia e pesquisador da Fiocruz Bahia, Mauricio Barreto alerta que o comportamento do vírus não é algo previsível e, por isso, a retirada de medidas protetoras agora é precipitada. "No final do ano passado tivemos uma desaceleração da pandemia, e logo em seguida surgiu a ômicron. Agora, com a retirada das medidas, já podemos observar um repique inicial indicando uma leve preocupação", diz ele.
Barreto assinou junto com outros 20 pesquisadores brasileiros um artigo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia em dezembro passado. O texto lista 13 propostas que os estados e municípios devem adotar para reforçar a vigilância epidemiológica do Sars-CoV-2.
Entre elas, a detecção de novos casos na fase inicial, o isolamento de infectados e de seus contatos e o uso de máscaras mais eficazes, além de acelerar a vacinação. De acordo com o pesquisador, apesar de as vacinas oferecerem alta proteção contra hospitalização e óbito, elas possuem eficácia reduzida contra infecções frente a variantes de preocupação, como a ômicron, e novas variantes podem ainda surgir.
"A ideia básica não é exagerar as medidas, e manter algumas delas, como o uso de máscaras, inclusive como um sinal de que ainda estamos na pandemia. Aliadas às vacinas, as máscaras são um fator importante de proteção contra infecção, e retirá-las agora é dizer que uma medida de baixo custo e altamente eficaz não é mais necessária, o que considero precipitado", diz.
Por: Giuliana Miranda
Portugal vai dificultar o acesso à nacionalidade lusa para descendentes de judeus sefarditas expulsos da Península Ibérica durante a Inquisição. Agora será obrigatório comprovar vínculos efetivos com o país.
A mudança acontece por meio de um novo decreto que regulamenta a aplicação da lei de nacionalidades.
"O governo regulamentou a lei, introduzindo mecanismos que impedissem que uma disposição generosa e justa pudesse ser pervertida", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em entrevista à AIEP (Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal) na manhã desta quarta-feira (16).
O chefe da diplomacia portuguesa ressaltou que a lei se inscreve em uma lógica de reparação histórica contra "o erro que foi a expulsão dos judeus de Portugal no fim do século 15", mas defendeu a exigência de requisitos mais restritivos do que aqueles atualmente em vigor.
"Convém que todas as pessoas que tenham a nacionalidade portuguesa a tenham porque também têm um vínculo contemporâneo a Portugal. E que tenham elas próprias um vínculo a Portugal, não apenas os seus tetravós", completou.
O anúncio acontece após a polêmica concessão de nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich, dono do Chelsea e figura próxima ao presidente Vladimir Putin, por meio do mecanismo.
As autoridades lusas já abriram ao menos duas investigações para averiguar possíveis irregularidades no processo de naturalização do empresário, concluído em 30 de abril de 2021, mas que só veio a público em dezembro do ano passado. A lista definitiva de mudanças ainda não foi divulgada.
Embora as novas regras tenham sido aprovadas no Conselho de Ministros em fevereiro e promulgadas pelo Presidente da República em 9 de março, elas ainda não foram publicadas no Diário da República.
De acordo com reportagem do jornal Público, Portugal passará a exigir documentos adicionais que comprovem um vínculo mensurável com o país. "A herança de um imóvel em território português ou a comprovação de visitas a Portugal ao longo da vida" seriam algumas das medidas adicionais.
Segundo o ministro Santos Silva, a medida não terá efeito retroativo e, portanto, não altera a situação daqueles que já obtiveram o passaporte português por meio desta via. Caso estivessem em vigor, as regras teriam impedido a concessão de nacionalidade portuguesa a Abramovich.
Portugal já atribuiu a cidadania a 56.685 descendentes de judeus sefarditas entre 2015 e 2021. Há milhares de brasileiros entre os beneficiados, mas o órgão do governo responsável pelo tema ainda não divulgou os dados mais recentes distribuídos por nacionalidade.
Além da documentação adicional, o país manterá a exigência de um certificado que ateste a condição de descendente de judeu sefardita expulso do país durante a Inquisição. O registro, aliás, está no centro do debate no caso da concessão de cidadania a Abramovich e de outros casos sob investigação judicial.
O certificado é lavrado após análise da árvore genealógica dos candidatos. Até a semana passada, o documento era emitido por duas entidades: a CIP (Comunidade Israelita do Porto) e a CIL (Comunidade Israelita de Lisboa). Líder da comunidade do Porto e responsável pelas certificações da maior parte dos processos do país, o rabino Daniel Litvak foi preso pela Polícia Judiciária portuguesa na última sexta-feira (11), no âmbito das investigações de irregularidades, incluindo o caso do oligarca russo.
Detido no aeroporto quando se preparava para embarcar para Israel, Litvak foi liberado horas depois, mas com a obrigação de se apresentar às autoridades policiais três vezes por semana.
O rabino também teve os passaportes (israelense e argentino) apreendidos. O religioso foi indiciado por diversos crimes: corrupção, associação criminosa, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.
A polícia também suspeita que Litvak tenha ajudado a desviar parte dos 35 milhões de euros que a CIP (Comunidade Israelita do Porto) recebeu como doações desde que a lei entrou em vigor, em 2015.
Em nota, a CIP negou as acusações e atacou as investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária, que seriam baseadas "fundamentalmente em denúncias anônimas inverossímeis".
A entidade diz que membros de sua direção foram alvos de buscas por contatos que, afirma ela, nunca tiveram com cartórios, além de "peculatos tecnicamente impossíveis de realizar nesta organização".
Em um movimento surpreendente, a organização também afirmou que não irá mais prestar o serviço de certificação de ascendência sefardita. Uma vez que a CIP era responsável pela emissão da maioria dos documentos do país, o movimento pode significar atrasos adicionais no processo de naturalização.
Tentativas de alterar as regras para a nacionalidade portuguesa para os descendentes de judeus sefarditas são um desejo antigo de parte do governo do premiê António Costa (Partido Socialista).
Em 2020, uma proposta encabeçada pela deputada Constança Urbano de Sousa, então vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista, aumentava as exigências para os postulantes ao benefício.
Uma das medidas era a exigência de residir em Portugal por ao menos dois anos. Houve forte resistência entre as comunidades judaicas e inclusive entre figuras do Partido Socialista, e a proposta foi reprovada.
"Na ocasião, o ministro dos Negócios Estrangeiros comunicou à Assembleia da República todas as informações de que dispunha e que indicavam que a lei, generosa e justa, estava a ser pervertida, permitindo um risco de mercantilização da nacionalidade portuguesa", afirmou Santos Silva.
À época, embora os deputados não tenham aprovado uma alteração na lei, deixaram aberta a possibilidade de mudanças em sua regulamentação. Foi o que o governo fez agora.
Na vizinha Espanha, que também expulsou judeus durante a Inquisição, houve da mesma forma um programa de concessão de nacionalidades aos descendentes das vítimas, mas ele foi encerrado em 2019.
Para Patrícia Lacerda, especialista em direito internacional, exigências são necessárias para o controle da pandemia de COVID-19 e demais doenças
Por: Joana Cunha
Na sequência das sanções internacionais em vigor contra a invasão na Ucrânia, a europeia Airbus suspendeu as entregas e os serviços de suporte aos clientes russos.
A empresa também cortou o fornecimento de peças de reposição.
"Estamos monitorando a situação de perto e analisando o impacto das sanções em nossos negócios e operações. Seguimos aplicando e continuaremos a aplicar as sanções integralmente", afirmou a Airbus à reportagem.
A fabricante aeroespacial francesa se junta à americana Boeing e a outras gigantes de diversos setores diante da escalada bélica russa.
Empresas como Shell e BP abandonaram negócios bilionários na Rússia, enquanto a Volvo, Apple, MSC e Maersk, suspenderam remessas.
Um turista que percorria o caminho para chegar ao mirante do Lago Escondido, ponto turístico de Bariloche, encontrou, na quarta-feira (16), um corpo alvejado por nove tiros, mais tarde identificado como da brasileira Eduarda dos Santos Almeida, 27. A principal suspeita é de que ela tenha sido vítima de feminicídio.
De acordo com informações do jornal argentino Diário do Rio Negro, o Ministério Público do país aponta um homem, que morava com Eduarda e é pai de dois dos três filhos dela, como provável autor do crime. A identidade e a nacionalidade dele não foram reveladas, o que deve ocorrer apenas na audiência.
O acusado foi preso com um carro no qual foram encontradas manchas de sangue, mas os resultados dos exames para confirmar se o DNA pertence à brasileira ainda não foram divulgados. Com as informações obtidas até o momento, o MP argentino acredita que o crime tenha ocorrido na madrugada de quarta-feira.
A reconstituição indica que os dois percorreram o caminho em direção ao mirante do lago Escondido, na rota turística do Circuito Chico, em um Chevrolet Joy. O homem estava na condução e Eduarda no banco do passageiro. Então, ele estacionou o veículo e efetuou os disparos com uma arma, deixou a mulher morta no local e fugiu.
Segundo o Diário do Rio Negro, a brasileira morava em Bariloche há alguns meses, mas estava pensando em voltar ao Brasil, para onde já se deslocava com frequência. Irmão de Eduarda e servidor da promotoria de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, Wallace Santos Oliveira organizou uma campanha para trazer o corpo da irmã para o Brasil.
A ação, divulgado com o apoio da Associação dos Servidores do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Assemperj), pede ajuda financeira "para contratar assistência jurídica e comprar passagens aéreas para acompanhar o caso e trazer as crianças de volta para ao país".
Por: Karina Jucá
Mesmo que o leitor não tenha assistido, certamente ouviu falar da série "Emily in Paris", a versão millennial e ainda mais frívola da cringe e novaiorquina "Sex and the City".
Nela, a jovem protagonista, uma Cinderela do marketing de Chicago, incapaz de pedir um pain au chocolat na língua de Molière, é a responsável por lançar um novo ponto turístico no repertório já vasto da cidade mais cobiçada do mundo: a Place de la Estrapade, uma pequenina, bucólica e ultra charmosa praça no coração do mítico Quartier Latin, a poucos passos da Sorbonne histórica e do Panthéon.
Foi na Place de la Estrapade –onde, até o século 18, guilhotinavam cabeças insubordináveis e soldados desertores– que Emily ofereceu um jantar de aniversário, embrulhada em um vestido rosa choque que daria paúra até mesmo na estilista italiana Elza Schiaparelli, a mais fervorosa defensora da cor.
Mas, ah, o cenário. No plano de fundo da soirée, em uma bonita tomada lenta, um contraste curioso: a livraria portuguesa de um ermitão francês com ares de Bartlebly que todo turista precisa conhecer.
Trata-se da Librairie Portugaise & Brésilienne, que, desde 1986, é um verdadeiro achado na França. Última especializada em línguas lusófonas do país, a livraria está repleta de títulos –bien sûr– em português de Portugal e do Brasil, no original, traduzidos para o francês ou bilíngues.
Os livros vão de clássicos a jovens escritores, vindos de inúmeras editoras, incluindo as da lavra do próprio livreiro, o tradutor e editor Michel Chandeige.
A Editora Chandeigne é a maior autoridade em edição luso francesa da França, com quase 200 títulos publicados em 30 anos. Os temas são variados para um mergulho completo no universo lusófono: etnográficos, romanescos, poéticos, históricos.
Entre os lançamentos, o editor destaca a nova antologia da poesia portuguesa, das origens ao século 20, do original "La Poésie du Portugal, des origines au XX Siécle", de Max De Carvalho (também à venda no site da editora).
Outro charme, entre os inúmeros do lugar, é poder conhecer a literatura portuguesa para além dos bastiões, a nova cena literária dos nove países lusófonos, ver as obras brasileiras traduzidas para o francês, ou até se deparar com pequenas curiosidades, como as edições humorísticas de literatura de cordel –é bom exemplo "O Matuto que Perdeu a Mulher pro Facebook", de Tião Simpatia.
Por falar em simpatia, não espere de Michel Chandeigne o caloroso temperamento brasileiro. Ele é um livreiro francês cuja formação se deu em Portugal. Em resumo, ao turista resta aproveitar as estantes e se contentar em receber boas indicações.
Na livraria, nem tudo são flores e chafarizes, mas ela resiste em um dos quartiers mais privilegiados (e caros) da cidade. Para entender sua importância, vale dizer que não existe mais uma única livraria hispânica ou alemã na França. Algumas fecharam as portas durante a pandemia, mesmo aquelas tidas como instituições locais, caso da Manzarine em Saint Germain Des Prés.
Visitar a livraria se torna, assim, mais que um passeio turístico: é uma forma de concedê-la prestígio e ainda garantir a sua existência.
Na praça onde Emily, na série, exibe todo o seu senso estético novo rico, e a despeito de um lento, mas constante, desaparecimento de uma Paris meritocrática, a Librairie Portugaise & Brésilienne faz jus ao imaginário artístico e intelectual de Paris.
Passada a visita inspiradora, o turista tem logo ao lado um belo bistrô com terraço com vista para a praça. Na primavera que se aproxima, dá para pedir "un vin rosé, svp", e aproveitar a leitura.
Conversei com Michel Chandeigne, que, com estilo lacônico, nomeia sua preferência por Machado de Assis e Guimarães Rosa como "gostos banais", e ainda afirma que o mercado editorial brasileiro não tem nada de especial.
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Quando você se apaixonou pela língua portuguesa?
MC: "Na minha nomeação em 1982 no Liceu Francês Charles Lepierre. Lisboa era uma maravilha desconhecida. Houve um trabalho imenso a fazer de descoberta da cultura portuguesa e lusófona. Depois, com meu trabalho de tradução, iniciado em 1983. E, por fim, no meu encontro com a minha esposa, Ariane Witkowski, professora de literatura brasileira (falecida em 2003).
Quais são os desafios de manter uma livraria de língua estrangeira em Paris?
MC: "Em 1986, data da fundação, era uma evidência, com ventos favoráveis. Agora, a concorrência com a internet está imparável.
Seus autores brasileiros preferidos, e por quê?
MC: "Sem necessidade de justificar, para ler e reler, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Drummond de Andrade, Milton Hatoum, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles. Gostos banais e clássicos. Nada de original. Dentre os jovens autores, Marcelino Freire, Carrascoza, Ana Paula Maia.
Como você vê o mercado editorial brasileiro?
MC: "Não vejo nada de especial”.
Como você vê o interesse dos franceses pela literatura brasileira?
MC: "Um interesse que foi sempre constante desde Jorge Amado nos anos 1940. Mas a verdade é que sobre 350 traduções disponíveis, 95 % das vendas concernem a Jorge Amado, Chico Buarque, Conceição Evaristo, Clarice Lispector, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. Paulo Coelho, embora muito vendido, não conta, porque o público não tem o sentimento de ler um autor brasileiro (em geral os temas dos livros dele não são brasileiros), mas pertencente à literatura mundial”.
Recentemente, "Emily in Paris" rodou duas temporadas na Place de la Estrapade. Você notou alguma mudança no entorno desde então?
MC: "Foi simpático. Há mais turistas para fazer selfies sobre a praça. Mas não são leitores potenciais”.
Como é traduzir poesia?
MC: "Estou aposentado dessa atividade. Antes era como exercícios físicos cotidianos. Gostei de poder traduzir a horas perdidas, evitando o labor das obras em prosa, colado a uma cadeira.
Qual o critério de um livreiro para escolher as suas próximas leituras?
MC: "Se eu soubesse...”
Qual livro que você recomendaria a um francês para começar a tentar entender o Brasil?
MC: "Racines du Brésil"de Buarque de Holanda, e "Dictionnaire Amoureux du Brésil", de Gilles Lapouge.
E a palavra mais bonita da língua portuguesa?
MC: "Coração”.
A França iniciou nesta terça-feira (1º) a redução gradativa das restrições impostas para conter a pandemia de coronavírus. Deixam de ser obrigatórios, por exemplo, o uso de máscaras na rua e a limitação de público em espaços culturais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, lançou um novo alerta pedindo que haja cautela no alívio das medidas. Segundo Maria Van Kerkhove, líder técnica da entidade, muitos países ainda não passaram pelo pico de contágios provocado pela variante ômicron, o que se torna ainda mais grave onde não há altos índices de cobertura vacinal.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou preocupação de que a alta transmissibilidade e a menor gravidade dos casos atribuídos à nova cepa possam levar os países a decidir que medidas de prevenção não são mais necessárias, ou, pior, não são mais possíveis.
"Nada poderia estar mais longe da verdade. Mais transmissão significa mais mortes. Não estamos pedindo que nenhum país retorne ao chamado 'lockdown'. Mas estamos pedindo a todos os países que protejam seu povo usando todos os recursos disponíveis, não apenas vacinas", disse. "É prematuro para qualquer país se render ou declarar vitória."
Em entrevista publicada nesta quarta-feira (2) na imprensa francesa, o presidente Emmanuel Macron recomendou que a população se mantenha cuidadosa. "Temos que permanecer vigilantes, pois a pressão nos hospitais ainda é alta."
A média móvel de casos diários de Covid na França alcançou o pico de 366,5 mil em 25 de janeiro. Desde então, o índice está em queda mas ainda supera a marca de 322 mil novas infecções por dia. Em 2 de novembro de 2021, a média móvel era de 5.288 -o que indica um aumento de quase 6.000% em três meses.
O número de pacientes internados com Covid-19 nos hospitais franceses também segue em alta -eram mais de 32 mil nesta terça, dos quais 3.751 em leitos de UTI.
O número de mortes também cresceu desde novembro (mais de 700%), mas as atuais cerca de 260 vítimas diárias da doença formam uma cifra bem menor que a registrada nos picos da pandemia na França -o que se atribui, entre outros fatores, aos índices de vacinação. Mais de 76% dos franceses completaram o primeiro esquema de vacinação, e 48% receberam doses de reforço do imunizante.
Apesar de os números não indicarem um cenário de controle da pandemia, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, anunciou no fim de janeiro a suspensão da maior parte das restrições. Além do uso de máscaras, o trabalho remoto também deixa de ser obrigatório.
Espaços culturais e esportivos, como estádios de futebol, não sofrerão mais restrições de público.
O passaporte vacinal, que, nas palavras de Macron, foi pensado para "irritar os não vacinados", segue em vigor. A partir de 16 de fevereiro, porém, começa ainda uma nova fase de alívio de restrições, quando casas noturnas, fechadas desde 10 de dezembro, poderão reabrir, e os franceses poderão voltar a beber nos balcões dos bares.
A medida francesa, por um aspecto, está de acordo com o que preconiza a OMS. "Agora não é hora de suspender tudo de uma vez. Nós sempre insistimos: sejam sempre cautelosos em aplicar as intervenções, bem como em suspender essas intervenções de forma constante e lenta, peça por peça. Porque este vírus é bastante dinâmico", disse Van Kerkhove, da OMS.
A Dinamarca, porém, tornou-se na terça o primeiro país da União Europeia a suspender todas as restrições sanitárias em uma única tacada. Os dinamarqueses não precisam mais usar máscaras ou apresentar o passaporte vacinal, e estabelecimentos como bares, restaurantes e casas noturnas voltam a operar sem limitação de horário e público.
O país nórdico também nunca teve uma média maior de casos diários de Covid -beirava os 8.000 registros no final de janeiro. O índice de mortes, que sempre foi baixo na Dinamarca, está na faixa dos três óbitos por dia. Mais de 81% da população completou o primeiro ciclo de vacinas, e 61% recebeu a dose de reforço.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no entanto, deu sinais de que o recuo das restrições pode não ser definitivo.
"Não podemos dar garantias de que poderemos retornar à vida como a conhecíamos antes do coronavírus".
Para Mike Ryan, diretor de emergências da OMS, o fato de os diferentes países não estarem na mesma situação sanitária faz com que medidas como a suspensão das restrições sejam adotadas sempre com a possibilidade de um rápido recuo na flexibilização.
"Aqueles países que estão tomando decisões de abertura mais ampla também precisam ter certeza da capacidade de reintroduzir medidas, com aceitação da comunidade, se necessário.
Se abrirmos as portas rapidamente, é melhor sermos capazes de fechá-las muito rapidamente também."
Maior festival do calendário da China, conhecido por levar à migração em massa e aquecer setores econômicos, o Ano-Novo chinês –ou Ano-Novo Lunar– teve início nesta terça (1º) em meio a um cenário ainda mais crítico em termos de crise sanitária do que o observado no país asiático no mesmo período do ano passado.
Afetada pela variante ômicron, a China assistiu à alta de casos diários de coronavírus em dezembro. As cifras começaram a cair na terceira semana de janeiro, mas voltaram a apresentar leve alta nos últimos dias. A média móvel de novos casos de Covid foi de 62 nesta segunda (31), um valor considerado baixo em países ocidentais, mas alto para os padrões chineses. Em 12 de fevereiro do ano passado, quando teve início a celebração daquele ano, a média móvel girava em torno de 10.
Somente a capital Pequim registrou 20 novas infecções da doença no último domingo (30), o maior número desde junho de 2020, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde. O cenário se torna preocupante não apenas porque pode ser agravado pelas celebrações do Ano-Novo chinês, mas também porque os Jogos Olímpicos de Inverno, sediados em Pequim, têm início ainda nesta semana, na sexta (4).
A despeito de reiterados pedidos das autoridades para que os cidadãos permanecessem em casa durante o feriado, muitos chineses, há anos sem reencontrar suas famílias, pretendem viajar mesmo em meio ao cenário pandêmico. Somente até o fim da última semana, 260 milhões haviam viajado com esta finalidade –cifra menor que a observada antes da pandemia, mas um aumento de 46% em relação ao ano passado–, segundo dados oficiais publicados pela Associated Press.
O número deve crescer exponencialmente ao longo dos próximos 40 dias, período de férias na China, quando, historicamente, foram registrados volumes recordes de migração humana. O regime chinês prevê que, mesmo com a ômicron, um total de 1,2 bilhão de viagens seja realizado, aumento de 36% em relação ao ano anterior.
O volume de deslocamentos pode desafiar a estratégia de "Covid zero" que vem sendo adotada pelo regime de Xi Jinping, numa tentativa de eliminar a presença do vírus. Até meados de janeiro, pelo menos três importantes cidades do país estavam confinadas para conter surtos locais da doença, o que afetou cerca de 20 milhões de pessoas.
A expectativa é de que as consequências dos grandes deslocamentos possam ser mitigadas devido aos índices de vacinação. O país asiático tem cerca de 85% da população com o primeiro esquema vacinal completo (duas doses), e 22,9% já receberam a terceira dose, mostram informações compiladas pela plataforma Our World in Data.
Projeta-se que as viagens acarretadas pelo feriado e as celebrações ajudem a reaquecer setores como turismo, varejo e transporte, afetados durante a pandemia. No Ano-Novo Lunar do ano passado, os consumidores chineses gastaram cerca de 821 bilhões de yuans (R$ 681 bi) no varejo, aumento de 28,7% em relação ao feriado de 2020.
A economista-chefe da consultoria Greater China, Iris Pang, disse à agência de notícias Reuters esperar aumento de 10% nos gastos em relação ao ano passado. "Mesmo que as pessoas não possam viajar, elas ainda têm dinheiro para gastar, especialmente se não gastam com transporte. Algumas economizaram desde dezembro para o feriado”. Por outro lado, no setor hoteleiro, as expectativas parecem ter sido frustradas.
Relatório recente da Trip.com, maior agência de viagens online da China, constatou que as reservas de quartos de hotel –cujos preços chegam a aumentar mais de dez vezes nesta época do ano– continuam muito longe do observado em 2019, segundo informações publicadas pelo jornal South China Morning Post.
"É uma tendência irreversível que mais cancelamentos ocorram devido ao aumento de infecções", diz o documento. Grandes hotéis chineses acumularam perda recorde de 41,4 bilhões de yuans (R$ 34,3 bi) em 2020, consequência substancial para o setor de turismo, que emprega cerca de 30 milhões de pessoas no país.
Em 2019, cerca de 415 milhões de chineses viajaram durante o feriado. O número caiu para quase zero em 2020, quando o surto inicial de coronavírus resultou em bloqueios rigorosos em todo o país. No ano passado, a indústria de viagens domésticas atendeu 256 milhões de turistas durante o feriado, ainda segundo informações do SCMP.
Outro fator de preocupação é o fato de muitas indústrias chinesas fecharem as portas ou, então, operarem com capacidade reduzida por semanas durante as celebrações, o que atinge em cheio varejistas e importadores que dependem de produtos do país.
Uma novidade deste Ano-Novo chinês diz respeito ao ambiente –mais especificamente à qualidade do ar. Tradicionalmente, os chineses celebram a véspera do feriado acendendo fogos de artifício, mas, neste ano, a capital Pequim proibiu a atividade pela primeira vez. Não ficou claro se a proibição está relacionada aos Jogos de Inverno, mas as consequências puderam ser sentidas.
A concentração de material particulado (especificamente PM2,5) ficou em 5 microgramas por metro cúbico na noite desta segunda (manhã no horário de Brasília). Na véspera do Ano-Novo chinês de 2021, a média era de 289 microgramas por metro cúbico.
Durante discurso sobre o feriado feito no último fim de semana, o líder chinês, Xi Jinping, voltou a falar em bandeiras como a da união nacional e o legado do centenário Partido Comunista Chinês. "Não importa quais reviravoltas ou desafios possamos enfrentar, devemos levar adiante o grande espírito fundador do PC Chinês", disse, segundo relato da agência estatal Xinhua.
"Devemos ter uma perspectiva de longo prazo, estar preparados para os perigos potenciais mesmo em tempos de calma, manter uma forte unidade e trabalhar duro para continuar impulsionando a grande causa do rejuvenescimento nacional", seguiu Xi.
Por: Rafael Balago
O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciará nesta quinta (2) novas medidas de combate ao coronavírus a serem adotadas pelo país, incluindo mudanças nos protocolos de entrada de viajantes internacionais.
Agora, será necessário apresentar um teste de Covid-19 com resultado negativo realizado na véspera do embarque. Atualmente, o exame pode ser feito até três dias antes da viagem.
A medida, que deve começar a valer na próxima semana, atinge todos os viajantes internacionais, que também precisarão estar completamente vacinados para entrar nos Estados Unidos.
Biden anunciará todas as medidas oficialmente na tarde desta quinta, mas parte delas foi antecipada à imprensa pela Casa Branca. O governo busca dar uma resposta em meio ao avanço da variante ômicron, potencialmente mais contagiosa, que teve o primeiro caso registrado nos EUA na quarta (1º).
Para os viajantes, haverá também uma ampliação na exigência do uso de máscaras em aviões, trens e transporte público, até 18 de março de 2022. A multa mínima em caso de descumprimento da regra será de US$ 500 (R$ 2.817) e poderá chegar a US$ 3.000 (R$ 16,9 mil) em caso de reincidência.
Ao todo, o plano terá nove pontos, com destaque para a ampliação da distribuição de doses de reforço das vacinas. Elas serão oferecidas a todos os adultos e deverão ser tomadas seis meses após a segunda dose dos fármacos de Pfizer e Moderna, e dois meses depois da aplicação da dose única da Janssen. O reforço será oferecido em 80 mil pontos, e mais de 41 milhões de pessoas já receberam a dose extra.
O governo também ampliará a vacinação de crianças a partir de cinco anos de idade, para dar mais segurança para as escolas permanecerem abertas -no país, 99% dos centros de ensino estão com aulas presenciais, segundo a Casa Branca. Há planos ainda para garantir que empresas continuem abertas e para a realização de campanhas para que mais empregadores cobrem a imunização de funcionários.
Biden também deve exigir que os planos privados de saúde reembolsem todos os 150 milhões de clientes que pagam por esse serviço no país com 100% do custo de testes caseiros, segundo funcionários da Casa Branca à agência de notícias Reuters -a regra não valerá retroativamente. O governo também deve disponibilizar 50 milhões de testes gratuitos em clínicas rurais e centros de saúde para não segurados.
Para ajudar o tratamento de infectados pelo coronavírus, a administração do democrata terá equipes médicas de resposta rápida, a serem enviadas aos estados onde houver alta súbita de casos.
A Casa Branca promete ainda aumentar o acesso a medicamentos para tratar a Covid e garantir que novas drogas aprovadas cheguem rapidamente a todo o país. No cenário internacional, o governo Biden deve se comprometer a acelerar a doação de vacinas. Os EUA falam em fornecer 1,2 bilhão de doses a outras nações, sendo que 200 milhões seriam entregues nos próximos cem dias.
Há, também, a perspectiva de expandir a produção de imunizantes no exterior, bem como acelerar a adaptação de vacinas para a nova variante, caso seja necessário. Estudos ainda estão sendo feitos para aferir a capacidade dos imunizantes atuais de conterem a ômicron.
O Qatar inaugurou oficialmente, nesta terça-feira (30), o estádio Al Bayt, que receberá a abertura da Copa do Mundo, no dia 22 de novembro de 2022. A arena construída na cidade de Al khor, ao norte do país, e a quase 50 km de Doha, tem capacidade para 60 mil pessoas. Entre os oito estádios do Mundial, ele é o mais distante do centro da capital. O nome do local tem o significado de casa.
O seu formato é inspirado em tendas que os povos nômades costumavam instalar pela região. O Al Bayt também reúne um hotel cinco estrelas, com 96 dormitórios. O estádio só não tem capacidade maior de público em comparação com o Lusail, previsto para acomodar 80 mil torcedores e palco da decisão do título do torneio entre seleções. Além de receber a primeira partida da Copa-2022, o Al Bayt vai sediar confrontos válidos pelas oitavas de final, quartas e semi.
Nesta terça, o Al Bayt foi inaugurado com o duelo entre a seleção anfitriã e o Bahrein, que começou às 13h30 (de Brasília), pela Copa Árabe. O time da casa venceu por 1 a 0. Às 16h (de Brasília), o jogo entre Emirados Árabes e Síria marca a inauguração de outro estádio, o Ras Abu Aboud, conhecido como 974. Este, construído na região portuária de Doha, tem estrutura composta por contêineres.
Com esses dois estádios entregues, restará apenas a abertura do Lusail, que será palco da grande final do Mundial de 2022. Porém, não há data de inauguração até o momento.
A intenção da Fifa é que a Copa Árabe sirva como evento-teste para a Copa.