
Falta de sinalização e filas fazem com que o passeio possa durar um dia inteiro
Por: Samantha Chuva
Redação JT
O Cristo Redentor, localizado no topo do Corcovado, tornou-se uma das sete maravilhas do mundo moderno em 2007. O ponto turístico, que já era conhecido mundialmente, virou parada obrigatória para os turistas que visitam a cidade maravilhosa.
Nas cidades europeias os meios de transportes são todos pensados na facilidade e eficiência, para que o turista não tenha dificuldades de se locomover e possa, sempre, chegar ao seu destino. Não somente os metrôs, mas os ônibus também possuem mapas completos, com todas as paradas explicadas, além da sinalização dos pontos turísticos. Durante o trajeto, os meios de transporte ainda ‘falam’ qual a próxima estação. Tudo automático e bem organizado, para que o turista tenha total liberdade.
Aqui no Brasil, o quadro é muito parecido, mas com outra pintura. Os ônibus também avisam qual é a parada do ponto turístico. O cobrador levanta o tom de voz e grita - em um português carioca, carregado de sotaque - para os passageiros do veículo: ‘Corcovado!’ Os turistas estrangeiros se entreolham e seguem a multidão de visitantes brasileiros que compreenderam o que aquilo significava.
Ao descer do ônibus, os visitantes são abordados por cooperativas turísticas oferecendo pacotes e passeios, muitos dos quais falam outras línguas como inglês e espanhol. Para ir até o Trem do Corcovado, nenhuma placa indica o caminho. É preciso observar o fluxo das pessoas para encontrar a fila que leva à bilheteria do empreendimento.
Durante o ano todo o local tem um intenso movimento de visitantes – são cerca de dois milhões de visitantes por ano, porém, durante a alta temporada e, principalmente, nos finais de semana, as filas para comprar ingressos dão voltas no quarteirão e as pessoas aguardam debaixo do sol quente a sua vez. “Muitas vezes os turistas chegam cedo para comprar os ingressos, mas os trens já estão todos lotados e o próximo é só para as 17 horas”, afirma Giovana Abreu, secretária executiva da empresa Corcovado Car Sevice Cooperativa - Turismo Ecológico.
Para desafogar o trânsito de pessoas, as cooperativas turísticas atuam tentando convencer o público a subir de van, pela metade do preço - o ingresso do trem é R$ 45 para adultos e R$ 22,50 para crianças de 6 a 12 anos, idosos e estudantes brasileiros. Embora a abordagem chegue a ser cansativa e estressante, funciona. Por R$ 25,00 os guias turísticos levam os passageiros até as Paineiras, onde fica a van do Ibama, sem que eles precisem esperar na fila para adquirir o bilhete do trem e, depois, aguardar em uma outra fila pelo horário do mesmo.
“Somos legalizados com o Ministério do Turismo e a prefeitura. Nossos motoristas são todos formados em guias turísticos e falam mais de uma língua. Além do curso de guia turístico, os nossos funcionários também fazem o curso de condutor do Parque Nacional da Tijuca”, declara Giovana. A cooperativa transporta aproximadamente 2,5 mil pessoas por dia.
Para pegar a van do Ibama e alcançar o topo do morro para ver o Cristo Redentor, é preciso pagar uma tarifa de cerca de R$ 26, que é aplicado em infraestrutura e melhorias do Parque Nacional da Tijuca . E para isso há mais filas, uma para a compra do tíquete e outra para entrar na van. Logo, o passeio que era para durar uma manhã, leva o dia todo, com direito a muita espera, sol quente, e filas, várias filas.
Para quem faz o trajeto de carro, também é obrigado a estacionar nas Paineiras e fazer o resto do trajeto com a van do Ibama. Embora tenha economizado os R$ 25,00 das cooperativas, os motoristas sofrem com o pequeno estacionamento e muitos param os carros no meio-fio. Como o ato é ilegal, diversos motoristas são multados e tem até o seu carro rebocado.
De acordo com Sávio Neves, diretor do Trem do Corcovado, algumas melhorias estão sendo feitas para suportar a grande demanda que o Rio de Janeiro terá com os megaeventos, como, por exemplo, o aumento do estacionamento. “As obras de revitalização do Complexo das Paineiras, que incluem estacionamento pra 400 veículos já começaram e têm previsão de término para dezembro de 2014. Temos ainda um programa permanente de treinamento e qualificação dos colaboradores. Para agilizar o processo das filas implantamos um serviço de venda antecipada de bilhetes pela internet, com hora marcada. E aumentamos em 30% o período de funcionamento do local, que agora funciona das 7h às 21h, além de expandirmos o nosso número de funcionários, sendo que este é formado por pessoas que dominam duas ou mais línguas estrangeiras”, explica.
O projeto também contava com a entrada de quatro novos trens, que por problemas burocráticos, não foram permitidos ainda. Porém, segundo Sávio, o objetivo é que os novos trens dupliquem a capacidade de transportes e acabem com o desconforto das filas.
Para os estrangeiros, o problema maior da cidade é a falta de sinalização e orientações em inglês. “Eu nunca sei que ônibus pegar e onde descer, e, como ninguém fala inglês, eu não consigo pedir informações na rua. Preciso sair do hotel com tudo certo, todas as explicações de onde e como chegar, para não me perder”, afirma Andreas Isler, viajante suíço que visita pela primeira vez a América do Sul.
Para a canadense, Anne Longton, o fator da língua é preocupante. “Eu não estou reclamando, acredito que como turista é meu dever aprender algumas palavras em português, mas é algo que a gente se questiona. Será que o Brasil vai estar pronto para a Copa no ano que vem?”